Quarta-feira, 20 de Abril de 2011

Adaptação de mãe...

É tudo verdade!! Adorei o texto da Denise Fraga e tinha que colocar aqui... Nosso coração é muiiito forte!!

 

 

Outro dia, tava deixando os pequenos na escola quando percebi os olhos vermelhos de uma moça sentada num banco. Olhava para cima, fazendo um enorme esforço pra não deixar as lágrimas cair. Pensei: “Deve estar em adaptação”. Na escola, dizem que a criança está em adaptação, mas, na verdade, nós também estamos. E seria muito bom se soubéssemos que nossas mães, avós dos nossos pequenos que berram lá dentro, também, estariam lá fora sentadas, caso precisássemos de alguma coisa. Pois o que mais queremos nessa hora é o colo, o colo que estamos ali nos dispondo a dar ao nosso pequeno. 


Existem crianças e crianças, umas sofrem mais, outras menos com a entrada na vida escolar. Algumas nem sofrem e acham aquilo tudo muito divertido. Eu sofri muito. Como criança e como mãe. Quando criança, ia todo o caminho chorando. Era devidamente arrastada até a escola. Não tinha questão, não tinha tanta psicologia, muito menos banco de adaptação. Me lembro das grades do portão por onde vi minha mãe ir embora, da sala do jardim de infância, do cheiro, do portão cinza da saída onde todo dia eu duvidava que encontraria a minha mãe. E encontrava. Todo dia ela estava lá. Ou ela ou a boa Alzira iam me buscar. Nunca me esqueceram. E eu me adaptei. 

Hoje, tudo é melhor. Na adaptação dos meus filhos, eu pude ficar lá, sentada no banco, diferentemente da minha mãe. Mas não consegui me livrar do aperto no coração. Acho que por conta das minhas próprias memórias de infância. 

Fiquei bastante tempo no banco. Com meu mais velho, então, que precisou se adaptar à primeira escola, no ano seguinte novamente, porque mudou de escola, e, no terceiro ano, porque mudou de professora. Acho que foram uns quinze dias por ano no banco, e com mais duas adaptações do mais novo, fiquei escolada. Entendo bem os olhos vermelhos daquela mãe. Sei bem o que é isso. E agora eles começam na escola tão pequenininhos! Levam lanche e fralda na mochila! Meu Pedro levava sem saber a chupeta num lugar secreto, que eu e a professora combinávamos! 

Tenho até saudade daquele banco. Nele, ouvi muita conversa de mãe, aquela boa terapia de grupo, todas com o mesmo problema, de certa forma, todas iguais. E quando chega a hora de você tirar aqueles dedinhos do seu pescoço, e deixar o filho, mesmo chorando, no colo da professora, você quer morrer. Por mais que saiba que é assim mesmo, que faz parte da vida, que lá ele vai ter contato com outras crianças, blábláblá, você fica destruída. Eu ficava péssima. Saía da escola e desabava. Ficava lá, chorando na calçada, esperando ele parar de chorar. Às vezes, perdia o senso do ridículo e, como uma espiã maluca, subia no muro da escola para tentar vê-lo. Me lembro da imagem do pequeno Pedro segurando um baldinho vermelho que uma menina de cachinhos lhe dava. Ele brincando lá dentro e eu chorando lá fora. 

É, ser mãe compreende mesmo muitas dualidades. É uma grande mistura de alegria e dor. Quando ele ficou sem chorar, pensei: “Ué, mas ele não vai chorar?”. E quase chorei por um novo motivo, porque ele não chorou. Coisa doida ser mãe. 

A adaptação é difícil, mas passa rápido. Difícil mesmo é escolher a escola, pois colocamos esperanças demais nesse lugar que vai ser, de certa maneira, a extensão da nossa casa. Há que ter intuição. Você tem de entrar no lugar e, além de gostar da proposta pedagógica, precisa sentir um “é aqui”. Como comprar uma casa. Como se apaixonar. Mas é muito difícil achar uma escola perfeita. Temos muitos sonhos depositados nessa escolha. O sonho maior é o que todas nós queremos. Que eles sejam felizes. Que um dia descubram o que mais gostam de fazer e possam se sustentar fazendo o que gostam. Que aprendam a aprender. E, com o que aprenderem, ajudem a melhorar este planeta. Quanta responsabilidade, meu Deus!

 

Texto da Denise Fraga na Revista Crescer - http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI204001-15542,00.html

publicado por momentoskatia às 21:44

link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Julho 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. O que faz bem e o que faz...

. Envelhecer faz parte da v...

. A alma só envelhece se vo...

. Desabafo de um marido...

. Para maridos que não são ...

. O medo causado pela intel...

. O ESCRAVO ÉSOPO

. 10 comportamentos que pes...

. O mistério da vida...

. Salmo 23

.arquivos

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Outubro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Fevereiro 2009

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

blogs SAPO

.subscrever feeds