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Fev 22

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" Não foram as bruxas que queimaram.
Foram mulheres.
Mulheres que eram vistas como:
Muito bonitas,
Muito cultas e inteligentes,
Porque tinham água no poço, uma bela plantação (sim, sério),
Que tinham uma marca de nascença,
Mulheres que eram muito habilidosas com fitoterapia,
Muito altas,
Muito quietas,
Muito ruivas,
Mulheres que tinham uma forte conexão com a natureza,
Mulheres que dançavam,
Mulheres que cantavam,
ou qualquer outra coisa, realmente!
Qualquer mulher estava em risco de ser queimada nos anos 1600.
Mulheres eram jogadas na água e se podiam flutuar, eram culpadas e executadas. Se elas afundassem e se afogassem, eram inocentes.
Mulheres foram jogadas de penhascos.
As mulheres eram colocadas em buracos profundos no chão.
Por que escrevo isso?
Porque conhecer nossa história é importante quando estamos construindo um novo mundo.
Quando estamos fazendo o trabalho de cura de nossas linhagens e como mulheres.
Para dar voz às mulheres que foram massacradas, para dar-lhes reparação e uma chance de paz.
Não foram as bruxas que queimaram.
Foram mulheres."
🖤🌹🖤
- Fia Forsström
Gravura de R. Brend’Amour
“La Illustracion Iberica”, 1885
(Witch Wolf)

*

Em meio ao período em que a Igreja Católica exercia grande influência na Europa e era exercida essencialmente por homens, as mulheres que tinham conhecimentos em práticas de cura com o uso de plantas eram julgadas como “bruxas”, termo que ficou associado a pactos com o “diabo”.

Historicamente, as bruxas também são retratadas como mulheres fora dos “padrões de beleza social”, com o nariz grande, pontudo, cheias de verrugas e corcundas, com uma gargalhada horripilante e que eram temidas por sequestrarem crianças e as usarem em rituais macabros, segundo a religião cristã.

“Na idade média, entre o século XV e XII, fazia-se a caça às bruxas com a acusação de que elas faziam heresias. Heresias essas que não eram nem mais nem menos do que a expressão dos seus maiores dons. Ao se expressarem, ao usarem as plantas, ao rezarem aos seus Deuses (que não os cristãos), ao manterem uma grande conexão com a natureza (terra, água, sol, lua etc.), ao seguirem a sua intuição e os seus saberes mais íntimos como a premonição ou apenas aquelas que eram mais cultas, belas ou inteligentes. Eram queimadas, afogadas ou enterradas para que se calassem e não se expressassem como mulheres que eram”, explica a portuguesa e celebrante espiritual Cátia Silva, especialista em rituais.

Em entrevista à REVISTA CENARIUM, Cátia Silva lembra que, no princípio, os celtas acreditavam no fato de que, entre a noite do dia 31 de outubro e o dia 1º de novembro, o véu entre mortos e os vivos era mais frágil, sendo mais fácil a comunicação com os ancestrais. Segundo a celebrante espiritual, esse momento, para a cultura céltica, era uma grande festa, com rituais envolvendo fogueiras, a vela e ao fogo, e que traziam um misticismo próprio. Ao longo do tempo, o cristianismo adotou algumas dessas cerimônias pagãs e houve uma apropriação do Festival do Samhain.

Nos anos de 1693 e 1694, a cidade de Salem, nos Estados Unidos, chamou a atenção do mundo pela série de julgamentos de dezenas de pessoas, entre bruxas e habitantes locais, executados e torturados, em praça pública, por praticarem bruxaria. Com o grande número de execuções, o medo também dominava a região e, consequentemente, as lendas e contos sobre as bruxas e o que elas eram capazes de fazer tomaram o imaginário popular.

“O que aconteceu com essas mulheres, na Idade Média, foi que elas foram queimadas, não por terem algum saber extra-sensorial (muitas delas até tinham), mas a questão que quero defender é que nós, as mulheres, fomos habituadas a calar toda a nossa sabedoria interna para que não sofrêssemos consequências, da nossa família ou de nós próprias”, reforçou Cátia Silva.

Conforme o historiador britânico Malcolm Gaskill, professor da Universidade de East Anglia, “as mulheres atraíam muita desconfiança da Igreja e quando elas se mostravam habilidosas para lidar com a vida, seja preparando medicamentos ou atuando como parteiras, os bispos iam à loucura”.

“Depois de várias semanas de tortura, as mulheres confessavam práticas indescritíveis, como beijar ânus de gatos, beber sangue humano ou sacrificar crianças recém-nascidas”, descreve o historiador à revista Super Abril.

Injustiçadas

Diante do sentido pejorativo da palavra bruxa, criou-se, na sociedade, uma cultura machista e misógina na qual as mulheres passaram a ser desqualificadas pelos homens por se submeterem ao desconhecido e às “forças do mal”. Com isso, as mulheres sucumbiram a papéis secundários e submissos aos maridos. Mais de 3.800 pessoas foram julgadas por bruxaria na Escócia entre os séculos XV e XVIII e não houve desculpas formais pelos eventos hediondos.

Na lista de pessoas executadas por acusação de bruxaria, no período de “Caça às Bruxas”, estão a filósofa neoplatônica grega Hipátia (370-415 d.C), atacada e torturada até a morte por uma multidão cristã; o general chinês Zhang Liang (morto em 646), decapitado após ser acusado de feitiçaria; e a francesa Angèle de la Barthe, (1230-1275 d.C) queimada viva após ser acusada de ter mantido relações sexuais com o diabo e ter dado à luz a um bebê “monstro”.

Outras mulheres condenadas à morte por “bruxaria”

Petronilla de Meath (1300-1324 d.C)Torturada e queimada viva na fogueira, após ser acusada de recorrer à métodos de bruxaria para enriquecer e assassinar seus maridos
Kolgrim (morto em 1407)Condenado à morte na fogueira, após ser acusado de usar cânticos mágicos para enfeitiçar a mulher de outro homem
Matteuccia de Francesco (morto em 1428)Queimada até a morte após ser acusada de prostituição, ter cometido profanação com outras mulheres, vender poções do amor e pomada medicinal feita com sangue de recém-nascidos
Joana d’Arc (1412-1431 d.C)Condenada à morte, na fogueira, após ser presa sob acusação de assassinato e heresia
Agnes Bernauer Bernauer (1410 – 12 de outubro de 1435 d.C)Jogada no Rio Danúbio, onde morreu afogada, foi acusada de bruxaria e feitiçaria
Gracia la Valle (morta em 1498)Considerada a primeira execução por acusação de bruxaria na Espanha
Mark Antony Bragadini (morta em 1500)Foi decapitada, após ser cusada de feitiçaria e bruxaria.

 

Fonte com reportagem completa - https://cultura.uol.com.br/cenarium/2021/10/31/180252_bruxas-mulheres-com-conhecimento-em-filosofia-e-fitoterapia-eram-queimadas-por-saberem-demais.html 

publicado por momentoskatia às 20:51

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